segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Último dia em Lisboa

Não é o tempo, que esta espectacular em Lisboa.
Não é o ceu azul. Não é o cafe nem mesmo a simpatia das pessoas.
É o sentimento de ser acolhida onde quer que vá. É a nostalgia de passar em locais que me relembram de tantos momentos passados com alegria e amor.
É isto que eu sinto no meu último dia em Lisboa.

Não é o tempo, que está terrivel em Gent.
Não é o ceu cinzento. Não é o cafe aguado nem a falta de simpatia das pessoas.
É o sentimento de voltar a minha rotina de todos os dias. É a adrenalina do desconhecido que está sempre presente no meio do que é habitual nos meus dias.
É isto que eu sinto no dia antes de voltar a Gent.

É um dia onde a minha cabeça e o meu coração viajam a mil à hora, passando imagens dos dois sítios e tentando mostrar-me, alternadamente, ora que apanhar o avião eé a melhor coisa que vou fazer, ora que devia ficar a dormir e não ir para o aeroporto.

Estou sentada numa esplanada na praia, de t-shirt e cardigan a pensar no mega casaco de Inverno que vou vestir amanhã.
Estou a olhar para o mar e penso nos canais de Gent (sem comparação de beleza obviamente).

Não é que não saiba quem sou, pois isso sei muito bem, mas estes dias emocionais fazem-me sempre pensar na grandiosidade que é podermos estar "espalhados" por tantos sítios com uma ligação tão grande  e profunda.

Que sorte tenho em ter mais que uma cidade no coração.
Que sorte tenho em ter aprendido que dizer adeus é muito diferente de dizer até já.
E que por muito que os "até já"s me partam o coração, sei que são efectivamente "até já"s e não "adeus".
Que sortuda sou em sentir saudades de tanta gente, porque quer dizer que trago muita gente no coração

Nestes dias é quando eu eu sinto literalmente saudades de toda a gente. Das minhas relações em Lisboa que já não vou ver hoje, das que ainda vou ver hoje e de todas as outras de Gent que vou ver amanhã e nos próximos dias.

Há uma razão pela qual "saudade" não tem tradução para outras línguas. Porque nem toda a gente tem capacidade para compreender a complexidade desta palavra em todo o seu esplendor.
Hoje toda eu sou saudades.
E que sorte tenho pois tenho saudades dos pedaços de mim que deixei com as pessoas que amo.
E que sorte tenho por amar tanta gente!

Hoje foi um post em estilo saudade. O próximo voltará às palhaçadas do costume (já imensas ideias a surgirem :P)

sábado, 17 de setembro de 2016

Gentse feesten: 10 dias iguais... ou não!

Julho 15 a 24. Em Gent é tempo para o festival mais famoso do ano.
Dez dias completamente gratuitos onde 6 grandes palcos (ou 7 já não me lembro bem..), centenas de palcos pequenos e todos os parques da cidade recebem inúmeros cantores e bandas.
Da musica classica ao rock, ao swing, à musica do mundo, etc..
Juntamente com aulas de musica e dança, actuações de circo e outros talentos apresentados no meio da rua.
A isto tudo juntam-se stands de comida e milhares de spots para bebidas.
Todos os dias, sem excepção, das 10 da manhã (para as crianças) às 10 da manhã (para os adultos que aguentarem).

Basicamente eu moro no festival dado que a minha casa é no centro de Gent.
Todos os meus vizinhos desaparecem das suas casas na semana antes do festival comecar e no primeiro ano que ca morei, a câmara de Gent ate enviou pelo correio tampões para os ouvidos.
A verdade e que parece que a localização da minha rua é estratégica porque o barulho dos concertos e Djs tardios nao afecta o meu sono.
De qualquer maneira, nos anos anteriores planeei as minhas ferias de forma a ficar só 3 ou 4 dias do festival e depois sair de Gent (a universidade tem ferias obrigatórias nesta altura e a maioria das empresas sediadas em Gent segue o mesmo procedimento da universidade).

Este ano aconteceu que fiquei em Gent durante todo o tempo do festival.
Lembro-me de comentar com os meus amigos que seria impossivel ir todos os dias ao festival porque se tornaria repetitivo e perderíamos o interesse.

Aparentemente é possível!
Foram 10 dias em que a "manhã" passou a ser uma parte misteriosa e inexistente do dia, a nao ser quando víamos o seu inicio no caminho para casa.
Os dias começavam sempre mais ou menos no mesmo parque com uma "pintje" a meio da tarde e uma aula de salsa, boombal ou kizomba (ou outra coisa qulquer), ou simplesmente na relva a aproveitar o sol da Bélgica.
De seguida uma voltinha para ver as bandas de rua e depois... depois cada dia era uma nova história.

3 anos e tal a viver no mesmo sitio faz com que comeces a encontrar mais pessoas conhecidas na rua sem planear. E com quem acabas a conversar horas a fio e que trazem pessoas consigo que tu nao conheces.. mas que passas a conhecer para os proximos dias.

A base do dia começou quase sempre com o Manuel, o meu parceiro nesta dura aventura do festival de Gent, mas às três da manhã ja estavamos rodeados de amigos, conhecidos e estranhos com quem dançámos, bebemos, conversámos a partilhamos experiencias.

Lembro-me de algures durante a semana tentar precisar em que dia é que tinha visto um concerto muito bom... mas todos os dias se misturavam e parecia que ja tinha sido ha séculos.
Lembro-me de para o fim ter dores musculares de todo o tempo em pé a dançar, como se tivesse corrido 20kms no dia anterior.

Comecei quase todos os dias mais ou menos com um "proposito"... de encontrar uma amiga que ja nao via ha muito tempo, de experimentar aquela aula de danca que parecia engracada, de ir apoiar o meu amigo que ia tocar nao sei onde... nao importava, porque cada dia, apesar de em teoria igual, acabava por ser muito diferente.

Toda a cidade se transforma numa panóplia de risos, musica e sentimentos bons. É impossível ignorar.
É como se por 10dias vivêssemos numa "bolha do festival" que faz todas as maluquices parecerem normais e fundamentadas.
Recordo muitos momentos e conversas que me marcaram... e ha dias em que nao me lembro de nada que me tenha marcado... talvez porque estou a confundir esse dia com outro. A coisa funciona como uma experiencia num todo.

No ultimo dia do festival sentei-me com o Manuel num sitio à sombra (!) para beber um sumo (!) e começar a ganhar energia para o ultimo sprint da festa.
Recordo claramente que comentamos que estavamos ambos felizes que o festival estava no fim... porque nao estávamos confiantes de ter energia para muito mais...
E eu dizia (como ja tinha dito sem sucesso noutras noites) que aquele dia iria ser calmo... chegaria a casa cedo depois de apenas um ou dois concertos e de dizer ola ao amigos que iríamos encontrar.
Saímos do sitio onde estávamos e nem dez minutos depois encontrámos alguem conhecido... e la se foram os meus planos de um ultimo dia de festival calmo.
E ainda bem!

O festival acabou num Domingo e a Segunda seguinte foi efectivamente um dia MUITO calmo onde eu me perguntei muitas vezes onde é que tinha armazenado tanta energia para aguentar os ultimos 10 dias a um ritmo alucinante.
Mas a verdade é que na Terca ou na Quarta já sentia a falta do hábito" Às 18h no Baudelo park?"
Parecia que estava a faltar qualquer coisa nos meus dias (noites) :)

O Gentse feesten este ano foi demasiado especial para ser esquecido em breve.
E, se não os 10 dias, pelo menos 3 dias seguidos do festival de Gent, eu aconselho a toda a gente pelo menos uma vez na vida!

Belgium: A non-guide

Decidi que estes quase 4 anos da minha experiência na Bélgica nao podem ser esquecidos.
Tanto aconteceu entretanto.. Tantas coisas boas, mas, normais, esquisitas e muuuuuuitooooo esquisitas aconteceram que nao posso dar-me ao luxo de as esquecer, distraída como sou.

Por isso, é ponto assente que vou juntar umas notas do que escrevi aqui e de muito mais que nao escrevi (por preguiça ou privacidade) num "manuscrito" que por hora consiste apenas num título.

"Belgium: A non-guide".

Primeiro porque é um título engraçado. Depois porque apesar de me sentir em casa por estas bandas, nao me sinto, de longe, em condições de dar conselhos para guiar uma vida na Bélgica.
Por isso vou escrever o que sou boa a fazer: um "não-guia".

Mais pormenores virão em "breve" :)

É oficial: Ser emigrante faz gostar de fado!

No Domingo passado uns amigos desafiaram-me para um dia diferente.
Fomos a uma escola de dança que tinha um dia aberto para experimentar diferentes estilos de dança.
Olhámos com muita atenção para o programa e decidimos que íamos começar com flamenco.

Mal chegamos a escola percebemos que tínhamos olhado para o programa com tanta atenção que nos escapou o facto de a aula de flamenco ser para crianças. E apesar de provavelmente termos o mesmo nivel de dança que crianças de 8 anos (pelo menos eu...) decidimos que o melhor era nao fazer aquela aula.

Depois de 5 horas de Zumba, dança moderna, swing e danças orientais (estas ultimas que claramente nao sao para mim) concluimos que iríamos dar o dia por terminado com uma aula de tango argentino.

Os passos foram explicados em holandês.
Nos ja nao tínhamos a certeza que estávamos a perceber bem a coisa quando a professora me diz que eu e o meu par nos devíamos comunicar através do contacto com o chão que partilhávamos.
Ela disse isto em holandês e eu achei que devia ter percebido mal e pedi uma traducao em ingles. Mas mesmo que ela tivesse explicado em Português eu continuaria sem perceber o que era esta comunicação através do chão.
Depois de decidir ignorar o que a senhora nos disse, eu e o meu amigo lá conseguimos fazer uns "ochos" (melhores do que os do Jorge Jesus :P) e la para o fim da aula dançávamos já uma coisa que os nossos olhos dava ares de tango.

Nos últimos 10minutos da aula, que foram de "tango freestyle" os professores colocaram musica um pouco menos rigida para dar azo a nossa "criatividade" e... qual nao e o meu espanto quando a ultima musica que é suposto dançarmos é o "Meu fado" da Mariza.

Eu nem gosto muito da Mariza mas o facto é que o momento ficou muito mais especial com aquela musica e a certa altura la se foi o tango freestyle porque o que eu queria mesmo era apreciar aquela musica portuguesa numa sala de uma escola de danca numa cidade belga.

Estou habituada a ouvir os hits brasileirados do Michel Telo e afins aqui nos bares de Gent e de vez em quando continuo a enviar uma mensagem para Lisboa a dizer "Esta a passar a "Piradinha" aqui no bar. Ja traduzi para toda a gente!".

No entanto, continua a ser Português do Brasil. E a verdade é que o fado é inevitavelmente o estilo de musica portugues mais conhecido internacionalmente e portanto o mais facil de dar a conhecer.
E confesso que é muito bom ouvir uma musica na minha lingua materna num espaco publico a "uns quantos" quilometros de distancia.

Nao.. ainda nao comprei o meu fio de ouro... nem o meu Mercedes. E este ano voltei a falhar Portugal em Agosto e o dia 13 em Fatima... Mas como oiço muito pouco Portugues por aqui, quando oiço, tomo mais atencao. E nos temos uns quantos fados realmente muito bonitos.
Por isso, sem duvida, a proxima vez que a Carminho voltar cá a Gent, obviamente que vou continuar a convencer quinhentas mil pessoas nao portuguesas a irem comigo ao concerto :D

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Zurique em imagens

Aqui ficam algumas fotos que tirei durante o mes em que estive em Zurique.




No ultimo dia, na Burkplatz, o local onde o rio desagua no lago de Zurique.







A universidade onde estive a trabalhar durante o ultimo mes.



E a vista do bar da universidade.






A esquerda o bar com decoracao e musica mais aleatoria onde ja estive. Chama-se El Lokal.
A direita uma das cervejas suicas.










A catedral de Zurique e as varias perspectivas de uma das torres.






Tudo o que visitei em Munique no fim-de-semana em que la fui...



O lago de Zurique.



Um dos passeios de bicicleta



Letten, uma das partes hipster de Zurique, que nos dias de sol se transforma numa praia fluvial.



Uitliberg, a "montanha" de Zurique com a respectiva vista sobre o lago (em cima) 
e sobre a cidade (em baixo)


E por fim a vista de uma das pontes do Limmat, o rio de Zurique.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Zurique: Quando zero expectativas se transformam em tanto

O mes passado foi um dos meses mais rapidos da minha vida.
Costuma dizer-se que o tempo passa rapido quando se esta a gostar de algo.
Nesse caso, este ultimo mes voou.

Depois de uma viagem algo atribulada com um dos voos cancelado e com excesso inesperado de bagagem la cheguei a Zurique.
Instalada na casa e depois de um primeiro "baque" no supermercado para encher o frigorifico sem ter de deixar o ordenado todo na caixa de pagamento, fui dar uma volta nas redondezas do sitio que aluguei.

Nao tinha pesquisado nada sobre a cidade de Zurique antes de ir e, tendo nocao que as minhas capacidades de orientacao sao (muito) limitadas, decidi que se descesse ate ao rio e decorasse essa parte do caminho, estaria sempre orientada.
So precisava de encontrar o rio, o que, mesmo para mim, e exequivel.

Nem 5 minutos a andar estava no rio. Rodeava por arvores e por uma atmosfera hipster (no bom sentido) com um bar a beira da agua que convidava a sentar e beber algo.
Como ainda nao tinha levantado francos suicos tive de recusar o convite e continuei a caminhar por essa zona (Letten, onde acabei por dar um mergulho de 3segundos no rio umas semanas mais tarde) e fui em direccao ao centro.

Passei por monumentos que nao fazia ideia do que eram (mas que visitei depois mais tarde e agora posso fazer um tour), mas que encaixavam na perfeicao na paisagem, com o rio no meio cheio de luzes que iluminavam as inumeras pontes que se encontram pelo caminho.
No entanto, o ponto alto do passeio foi na Burkplatz, onde o rio desagua no lago de Zurique, um dos mais bonitos e majestosos que ja vi.
Tenho de voltar aqui de dia, foi o que pensei, mal sabia que de dia se veem os alpes daquele ponto.

No dia seguinte era o "primeiro dia de escola". Acordei cedo e fui para a universidade com um formigueiro no estomago originario de perguntas do genero "sera que os outros meninos vao gostar de mim?"

Subi o monte onde a universidade se situa e cheguei a um edificio historico que estava na morada que eu tinha pesquisado. "Mas isto e a universidade? Isto e um museu." Parecia um museu, por fora e por dentro.
Os alunos e os professores entravam no edificio como se nada fosse e eu quase nao conseguia fechar a boca, tal abismada que estava com a beleza daquela escola.
E atraves das arcadas do edificio havia uma vista avassaladora sobre a cidade... E um bar, que e coisa que nao existe na universidade de Gent  e que eu dou tanto valor, principalmente aos meus 5minutos com um cafezinho.

O primeiro dia de escola correu muito melhor do que eu esperava.
A professora com quem fui trabalhar apresentou-me a toda a gente, levou-me para almocar com o grupo do costume e toda a gente se interessou por saber mais sobre mim e sobre o meu trabalho.

No final da tarde um aluno de doutoramento foi ao meu gabinete dizer que era hora de ir para o bar porque a "malta" ia beber cervejas.
E que grupo mais fixolas de pessoal jovem. Apesar de serem matematicos nao eram o tipico estereotipo nerd com qual infelizmente ja me tenho habituado a lidar.
Passadas umas horas e umas cervejas ja estava combinado que ia com eles a Munique no fim-de-semana para a versao Primavera do Oktoberfeest e ao jantar ja estava a conhecer amigos destas pessoas que nao trabalham em nada relacionado com matematica.

E se o primeiro dia foi tao bom, os outros 30 foram tao bons ou melhores.

E relativamente a trabalho (que foi o que efectivamente foi fazer a Suica)?
O departamento nao tem comparacao ao de Gent. E tao mais rico, tao mais activo e as pessoas colaboram e falam efectivamente umas com as outras, que e algo a que nao estou habituada em Gent.

Todos os dias uma televisao no corredor principal do departamento actualiza as actividades do dia... e ha dias em que todos os seminarios, apresentacoes e afins nao cabem numa pagina so.
Todas as semanas sem excepcao, um convidado de fora vem falar em cada grupo de investigacao (e ja para nao falar que ha sempre comida no final :P ).
Existem apresentacoes mais introdutorias direccionadas para alunos de doutoramento (chamam-se os "pizza seminars", porque ha pizza no final), etc etc. Todo uma atmosfera envolvente que incentiva a uma aprendizagem constante.

E a professora com quem vim trabalhar... bem... digamos apenas que estou profissionalmente apaixonada por ela! :D
Todo um interese, uma preocupacao e uma frequencia de reunioes que nao estou habituada. E é tao bom!
A primeira vez que escrevi algo sobre o novo trabalho que desenvolvemos ela leu-o em 2 dias! E quando reunimos para falar sobre os seus comentarios ao ficheiro, a primeira coisa que ela disse foi "Ana, antes de qualquer comentario, quero agradecer-te profundamente por teres escrito isto tudo para o nosso artigo".
What?!! Eu nao estou habituada a isto. (Normalmente teria de esperar uns meses para ver as primeiras 3 paginas lidas).

Toda esta atencao a qual nao estou habituada despoletou uma motivacao infinita em mim. Foi como se ao final de 3 anos percebesse finalmente porque e que tinha decidido fazer um doutoramento.
E como ja ha muito tempo nao acontecia, dei por mim a olhar para o relogio e serem 3 da amanha e eu perceber que ja nao me levantava da cadeira ha 5 horas e por acaso ate precisava muito de fazer ir a casa de banho. Que nerd! Que bom!

Resumindo, trabalhei mais produtivamente nestas semanas em Zurique do que nos ultimos x (x=muitos) meses em Gent.
A motivacao e efectivamente a chave do sucesso, e de boas ideias, no meu caso.
Zurique e esta colaboracao foram definitivamente a lufada de ar fresco que estava a precisar nesta fase do doutoramento.
E alem disso, esta professora bem como outros professores do departamento preocuparam-se com o meu futuro profissional. E querem estar a par de qualquer decisao que eu tome para poderem aconselhar-me o melhor que puderem.

O que e que eu podia pedir mais deste mes? Nada, acho eu.
Reparei que em me queixei de quao pobre estou depois de viver com os precos malucos da Suica (uma cerveja a 8euros, cafe 5 euros, jantar 60/70euros, etc).
A verdade e que estive tao distraida com tantas coisas boas que esta desvantagem nem pesou quase nada na minha opiniao.

Que venha agora a escrita da tese. A minha vontade para isso nao e muita, mas a minha motivacao esta no auge!

sexta-feira, 18 de março de 2016

E eu que achei que não estava dependente da Internet...

Hoje, depois de um almoço mais prolongado porque estava solinho e não me apetecia sentar-me fechada num gabinete, finalmente voltei à universidade e sentei-me no tal gabinete.
Liguei o computador, pus a password e actualizei a página do gmail para responder aos emails que tinham ficado pendentes de manhã... "Erro"!

Mau... Pensei eu. Um computador tão bom e tão caro não dá erros. Numa réstia de tolerância lá cliquei outra vez no botão de actualizar: "Ocorreu um erro. Verifique a sua ligação à Internet".
Abri outra página para pesquisar algo no google, que é o meu teste da conexão à Internet, e.. nada.

Como entendida em computadores que (não) sou, fechei a janela e tentei abrir o Firefox em vez do Chrome (fica aqui a publicidade). Nada.
Então de seguida tomei a medida extrema da informática... Reiniciei o computador. Nada de Internet.

Depois de perguntar a outras pessoas, lá confirmei que não havia de facto Internet no campus devido a um problema técnico.
Não faz mal, pensei eu. Vou ter com o meu orientador e perguntar-lhe as dúvidas que tenho. Ele não estava lá. Não tem problema, pensei. Quando ele está a trabalhar de casa está sempre no computador, vou enviar-lhe um email. Cheguei ao gabinete e abri novamente o gmail para escrever a mensagem e... merda! Não há Internet.

Fui buscar um café à cozinha (para isso não é preciso Internet) e lá concluí que não tinha problema, ía trabalhar um bocadinho na tese de doutoramento que tinha deixado umas coisas pendentes no trabalho que tinha estado a fazer no meu computador em casa.
Abri a dropbox e aparece uma mensagem: "Atenção que devido à falta de conexão à Internet os ficheiros não foram actualizados". Ah! Que estúpida, também não posso fazer isto.

Ok, já um bocadinho aborrecida, decidi actualizar-me nos artigos científicos da minha área que tinham sido publicados nos últimos tempos. Enviei os ficheiros para a impressora e.. "Erro. Verifique a sua conexão à Internet".
Ai! Não há condições de trabalho neste sítio, pensei eu.

Vou então enviar o poster que tenho de apresentar esta semana para o centro de cópias, decidi eu. E depois vou para casa.
Ups... Como é que eu posso enviar o poster se não há Internet?
Hum.. Até estava de bom humor por isso passei automaticamente ao plano B sem reclamar. Vou fazer isto à século XIX e vou fisicamente ao centro de cópias com uma pen.
Olhei para o cartão do sítio e não tinha a certeza onde era a rua (para variar).
Vou só ali ao google maps confirmar a morada... ou não!
Lá saí da faculdade apenas com a minha ideia geográfica (pobre!) das ruas de Gent e... passado "algum" tempo lá encontrei o centro de cópias.

Resumindo, assim que descobri que não tinha Internet é que dei conta da quantidade de actividades que faço normalmente com completa dependência desta conexão (e como era dia de trabalho, estou a fingir que não tentei abrir nenhuma das redes sociais para responder a conversas com amigos :P).
Todas as tarefas que tentei, sem sucesso fazer, teriam sido possíveis se não tivesse assumido como certo que teria conexão à Internet. Podia salvar os ficheiros no computador, podia ter cópias fisicas da minha tese de doutoramento, podia ter um mapa de Gent, etc etc..
No final concluí que consigo viver sem Internet mas a vida torna-se muito mais "difícil". Ainda bem que não acontece muitas vezes! :)


PS - Este post foi escrito na semana passada, por isso é que ainda estava sol. Agora já não está :P